Por: Ana Luiza Basilio – Carta Educação – 10.07

Ativista pelo direito a educação para meninas, a jovem paquistanesa cobrou prioridade, financiamento e o cumprimento do Plano Nacional de Educação

A vinda da paquistanesa Malala Yousafzai pela primeira vez ao Brasil é motivada por um desafio bastante particular: achar meios para que 1,5 milhão de meninas brasileiras, hoje fora da escola, tenham acesso a educação. Durante o evento em que participou na segunda-feira 9, em São Paulo, a convite do Itaú Unibanco, a jovem anunciou que vai investir na educação do País, apoiando ativistas locais.

“A ideia é atuar junto às organizações e também ouvir meninos e meninas para conhecer os problemas educacionais e então pensar em como resolvê-los”, declarou a jovem que selecionou três ativistas brasileiras para integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Fundo Malala que patrocina homens e mulheres que incentivam ou promovem a educação de meninas em vários países.

Estão entre os nomes Denise Carreira, de São Paulo, coordenadora adjunta da Ação Educativa, uma organização fundada em 1994 para “promover os direitos educativos e da juventude, tendo em vista a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável no Brasil”; Sylvia Siqueira Campos, de Pernambuco, presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), que tem como objetivo “defender e promover os direitos humanos com foco na infância, adolescência e juventude; e Ana Paula Ferreira de Lima , da Bahia, uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), criada para “promover e respeitar a autonomia cultural, política e econômica e o direito à autodeterminação dos povos indígenas”.

Em sua passagem, Malala reafirmou a importância da educação como forma de promover a emancipação e o empoderamento de meninas. Em 2012, aos 15 anos, a jovem sofreu um atentado ao voltar de um dia letivo em Swat, região ao norte do Paquistão. O ônibus em que estava foi alvejado a tiros por membros do Talibã, que eram contra a sua defesa pública pelo direito a educação para meninas – no país, elas são proibidas de frequentar a escola. Em 2014, ela foi a vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

A jovem relembrou que muitas meninas travam suas lutas para terem garantidos os seus direitos educacionais – no mundo, 130 milhões de meninas estão fora das escolas. “Eu convivi com garotas que só podiam ir à escola depois que seus pais saíam de casa, porque eles não queriam que elas fossem”, relembra. “Muitas querem erguer suas vozes, mas não têm apoio. Eu sempre tive o apoio dos meus familiares”, contou.

Ao lado das convidadas Conceição Evaristo, escritora, Tia Dag, fundadora da Casa do Zezinho, Tabata Amaral, ativista por educação de qualidade, e Ana Lúcia Villela, do Instituto Alana, Malala falou sobre a importância de uma educação de qualidade e diversa, que seja capaz de acolher o sonho das meninas e não colocar barreiras em sua realização.

Ela também chamou a atenção para o poder do voto, sobretudo em um ano eleitoral, e falou da necessidade dos eleitores brasileiros não só depositarem seus votos em candidatos que os representem, como cobrar prioridade para a educação do País, reforçando a importância do cumprimento do Plano Nacional de Educação e da disponibilidade orçamentária para a pasta.